Democracia e justiça intergeracional
Resumo
A crise atual é grave e, para além dos idosos, quem mais sofre são os jovens, que inevitavelmente começam a perceber a indiferença com que as gerações atuais têm encarado as futuras e, consequentemente, como a ausência de lei permitiu que esta situação intergeracional fosse esquecida. Hoje, compreendemos melhor o facto de que as democracias mundiais enfrentam um problema estrutural: tendem a privilegiar o presente em detrimento do futuro, o que pode conduzir a um conflito com os imperativos do equilíbrio e da justiça intergeracional. Devemos, portanto, procurar encontrar formas de conciliar a democracia e a justiça intergeracional, institucionalizando os interesses das gerações futuras no processo de tomada de decisões atual. Não devemos esquecer que esta tentativa de proteger um futuro aberto, incerto e inseguro e de permitir a formação de laços intergeracionais depende da aceitação de incertezas nos processos de tomada de decisão, uma vez que a situação é tão dinâmica e mutável por muitas razões que as previsões, os estudos e os diagnósticos não podem ser imutáveis ou fiáveis.
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